Professores indgenas recebem diploma de magistrio intercultural

Os novos professores irão garantir aos seus alunos uma pedagogia voltada ao resgate da cultura e das tradições indígenas
Vestidos a caráter, cerca de 100 índios baianos receberam, nesta sexta-feira (20), diploma do magistério intercultural indígena. A cerimônia de formatura foi realizada no Instituto Anísio Teixeira (IAT), na Paralela, com a presença do governador Jaques Wagner e do secretário estadual da Educação, Osvaldo Barreto.
Com a especialização, os novos professores garantem aos seus alunos um ensino de qualidade, com uma pedagogia voltada ao resgate da cultura e das tradições indígenas. A recém-formada Cristiane Jandaia, da Tribo Pataxó, do município de Prado, mesmo antes de fazer o curso de magistério costumava ministrar aulas na aldeia, mas, sem uma formação específica, não conseguia relacionar os assuntos escolares com a cultura indígena.
Agora, formada, ela explica que fazer o plano de aula, levando em consideração a cultura dos índios, ficou muito mais fácil. “Precisamos oferecer ao nosso povo uma educação diferenciada para que possamos manter viva a nossa história. O curso de magistério nos ajuda neste trabalho, e a especialização a desenvolver melhor as aulas, sem precisar fugir dos costumes do nosso povo”.
Com esta formatura, a Bahia passa a ter 170 professores com magistério intercultural indígena. Há ainda 108 professores com a licenciatura em curso, na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), e 80 no Instituto Federal da Bahia (Ifba). No estado, 60 escolas indígenas, distribuídas em 12 povos e 22 municípios, atendem a 7.730 alunos.
Pioneirismo 
Segundo o secretário Osvaldo Barreto, a Bahia foi pioneira na aprovação da lei que institui a carreira de Professor Indígena no quadro do Magistério Público do Estado. Ele explica que atualmente o governo está estadualizando escolas indígenas, hoje sob a responsabilidade dos municípios, a fim de garantir melhor continuidade das políticas públicas de educação indígena.
O projeto de lei prevê a construção de uma educação diferenciada, específica e com qualidade, resultante do exercício partilhado com os índios. A linguagem, o método e formatação de ensino, direcionados especificamente para os índios, passam a ser peças fundamentais no entendimento e preservação da cultura indígena.
O governador Jaques Wagner afirmou que o magistério intercultural foi uma demanda dos povos indígenas, que sentiram a necessidade de oferecer uma educação mais especializada aos índios. “Eu entendo que o resgate, a manutenção da cultura indígena é uma responsabilidade dos governantes. Então, estamos dando a formação para ter estes costumes preservados”.
Audiência 
Além da formatura, os índios participaram de uma audiência com o governador e secretários estaduais a fim de avaliar o Plano de Trabalho Operativo (PTO), garantido ações de desenvolvimento nas comunidades indígenas. De acordo com o secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado, Almiro Sena, desde 2007 houve avanços em diversos setores, beneficiando os povos indígenas. Ele destacou a construção de escolas, a ligação de rede elétrica nas comunidades, a realização do curso de pesca e manutenção de motores, e a implantação do Centro Digital de Cidadania.

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